Oportunidade: integrantes de projetos sociais são contratados pelo TJRJ após bom desempenho
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 17/08/2020 22:09

Uma oportunidade bem aproveitada pode abrir muitas portas. Assim aconteceu com Jean Souto, de 28 anos, morador da comunidade Morro Azul, na Zona Sul do Rio.  Dez anos atrás, quando ainda morava em Magé, onde nasceu, Jean soube pelos seus amigos de escola que havia o projeto social Jovens Mensageiros, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, do qual passou a fazer parte. Ele ainda não sabia, mas começava a trilhar ali um novo caminho de vida.   

- Quando entrei no projeto e comecei a sair do município onde nasci, conheci a realidade da vida, a real dificuldade pela qual todo cidadão brasileiro passa, o que contribuiu para o meu amadurecimento.  

O bom desempenho do jovem nas atividades realizadas o levou a ser, posteriormente, contratado como terceirizado pelo TJRJ, no cargo de auxiliar administrativo inicialmente. Filho de um pedreiro aposentado e de uma empregada doméstica e diarista, Jean se inspirou no pai para começar a cursar Engenharia Civil, em 2014. Mas ver de pertinho uma grande obra no Judiciário fluminense o fez decidir de vez pela profissão.  

- Por ter um pai pedreiro, ele sempre me levava nas obras que ele construía para ajudá-lo, mas, em julho de 2010, com o começo da obra da Lâmina Central, e vendo a magnitude da estrutura das fundações sendo construída com o Fórum em total funcionamento, comecei a pesquisar sobre o assunto.  

Atualmente cursando uma pós-graduação em Engenharia de Estruturas, está nos planos do jovem engenheiro seguir estudando: pretende concluir cursos de pós-graduação, começar um mestrado e, após, seguir para o doutorado.  

E todo o seu investimento em educação e bom desempenho já rendeu frutos: foi recém-contratado para trabalhar como engenheiro terceirizado no Judiciário fluminense, começando sua nova atividade neste mês.   

Para ele, a oportunidade dada pelo TJRJ foi de grande importância ao seu crescimento profissional.   

- A vida é um fenômeno físico de causa e efeito, cada movimento feito por nós terá um reflexo no futuro. Algumas oportunidades vinham e eu não estava preparado. Resolvi me preparar para não perder mais nenhuma, busquei me capacitar com as armas e recursos que tinha disponíveis no momento, as pessoais (minha força de vontade), as profissionais (meu trabalho e cursos) e governamentais (FIES). Não foi e nem será um caminho fácil, longe disso, será um caminho tortuoso e difícil, mas, com muita fé e gratidão a Deus, sigo alimentando minha mente com o seguinte pensamento: Siga sempre em frente, se cair, levante e continue. Por mais difícil que seja a situação, você sempre poderá tirar um ensinamento que o ajudará no seu crescimento – acredita.   

Fabiano Pereira, de 28 anos, também viu no Tribunal de Justiça do Rio uma oportunidade de crescimento. Após participar do mesmo projeto, foi contratado como auxiliar de almoxarifado e auxiliar operacional. E a nova rotina profissional fez Fabiano sonhar com voos mais altos:   

- Penso em fazer uma faculdade e um concurso público no futuro - afirma. 

José Cícero Júnior também passou pelo TJ em um projeto social que rendeu frutos.  Trabalhando como auxiliar de serviços gerais no Centro Administrativo do TJRJ, ele, que também tem 28 anos, hoje sonha em ter paz financeira, saúde mental e espiritual. Faculdade e cursos de aprimoramento também estão nos seus planos, mas ainda enfrenta alguns obstáculos.  

- Não posso ainda porque minha família depende muito de mim – conta.   

 Também com pai pedreiro e mãe dona de casa, Felipe Luis dos Santos começou no tribunal como jovem mensageiro aos 19 anos e, depois, conseguiu ser contratado como ajudante operacional e se formou em bombeiro civil em 2018.  

 - Antes eu somente estudava na rede pública de ensino e, com o projeto, consegui ter renda fixa, o que me proporcionou certo nível de estabilidade. Para o futuro, penso em ter filhos, melhorar minha condição financeira e terminar a construção da minha casa.  

 Aos 19 anos, Thyago Braulio ingressou no projeto Jovens Mensageiros após saber de sua existência por amigos e familiares de Santo Aleixo, também em Magé, onde vive.   

- Tinha projetos e sonhos, porém, como o lugar onde moro não tem muita oportunidade de desenvolvimento por ser do interior do estado, essa passagem pelo projeto me deu acesso a oportunidades profissionais.  

Em 2015, voltou para o TJRJ na função de colaborador como auxiliar de expedição, fazendo a triagem e a organização de recibos e mensagens.  

- Hoje, graças ao projeto, sou formado em Administração, tenho cursos técnicos e, assim que essa pandemia passar, penso em fazer a minha pós-graduação. Meus planos para o futuro são continuar me profissionalizando, cuidar dos meus pais, continuar estudando, e ser a prova viva de como esse projeto social transforma vidas – destacou.   

 

 

Uma nova vida  

Os projetos sociais do TJRJ têm sido um importante instrumento de recomeço para muitos dos seus participantes. Dois deles, o Começar de Novo e o Justiça pelos Jovens, têm como seus integrantes, respectivamente, egressos do sistema penitenciário e jovens que já tiveram conflitos com a lei no passado. E, neles, a meritocracia também é a palavra de ordem, como acontece no Jovens Mensageiros. De 2011 a 2020, já foram contratados 88 ex-participantes das duas iniciativas como terceirizados.   

Um acidente de moto poderia ter acabado com a vida da jovem Fernanda*, então com 14 anos. Ela dirigia o veículo, que pegou escondida de um conhecido,  que veio a colidir com uma porta de aço, causando a morte de um jovem de 15 anos que estava na garupa. Ela ficou em coma, precisou permanecer hospitalizada por um mês, mas se recuperou. Cumpriu medida socioeducativa prestando serviço comunitário em uma escola e, aos 17 anos, começou no projeto Justiça pelos Jovens. Lá, passou a trabalhar com atendimento ao público por telefone, arquivo de documentos, controle de material e outras atividades.  Este foi o pontapé inicial para uma nova vida que ela precisava seguir.  

- Com meu ingresso no projeto, minha vida deu um giro de 180°! Comecei curso técnico em administração, terminei o  Ensino Médio, expandi a mente/conhecimento para concurso público e hoje curso o 8° período do curso de Direito – contou ela, que não esconde a imensa gratidão pela oportunidade recebida.  

Em janeiro de 2016 foi contratada para trabalhar no TJ como auxiliar operacional. Com seis irmãos, apenas dois fizeram curso profissionalizante. Filha de um motorista de ônibus, já falecido, e de uma profissional autônoma, a meta dela agora é terminar a faculdade, prestar concurso público na área de segurança e cursar uma segunda graduação em Psicologia para, segundo ela, “entender melhor a mente humana, que é tão mágica e complexa”.  

Outro participante que viu nos projetos sociais do TJ a chance de um recomeço é Júlio*. Após ficar preso por três anos por ter cometido um roubo, o rapaz soube do Começar de Novo por meio de uma tia e passou a fazer parte da iniciativa em 2018, com 23 anos.   

 - Minha vida antes do projeto estava complicada, sem oportunidades, sem direção. Assim que entrei, comecei a criar responsabilidade, conhecendo pessoas novas, com ótima educação. Assim, fui me aperfeiçoando – contou ele, que hoje trabalha como terceirizado atuando em serviços de digitalização, tendo sido contratado logo após terminar seu período no projeto social. Agora pretende cursar a faculdade de Direito.   

Segundo o Departamento de Ações Pró-Sustentabilidade (Deape), todos os participantes que passam pelos projetos de inserção social do TJRJ recebem qualificação profissional que lhes proporciona a permanência no mercado de trabalho no período de até dois anos. Por meio do acompanhamento da equipe técnica, passam por treinamento profissional qualificado e continuado, além de estímulo ao aumento da escolaridade. Também são treinados nas unidades organizacionais em que trabalham. Nesses locais as atividades também incluem tanto capacitação técnica, quanto orientações comportamentais relativas ao mercado de trabalho formal.  Desta forma, os projetos têm como função a responsabilidade social, garantindo a manutenção e reprodução das relações sociais.  

 - Avaliamos que os projetos de inclusão social têm como resultado a construção de uma sociedade mais justa e solidária, que pode ser observada na melhoria da estrutura familiar dos participantes por meio da reinserção profissional no mercado formal de trabalho, por meio de experiência profissional supervisionada, provocando uma significativa transformação nas condições socioeconômicas, além do estímulo ao aumento da escolaridade, elevando o nível de instrução dos participantes -  afirmou a diretora do Deape, Rosiléa Di Masi Palheiro.   

*Os nomes foram trocados a pedido do Deape para preservar os funcionários.  

 

   

 

SP/MB 

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