Sala Violeta chega em São Gonçalo
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 19/08/2020 14:36

Após 13 anos de união, a funcionária pública X., de 36 anos, terminou seu relacionamento em função das constantes agressões sofridas pelo companheiro. A última delas aconteceu quando já estavam separados. Ao buscar a filha na casa dele, em São Gonçalo, o marido ameaçou matar a menina com uma faca antes de fazer o mesmo com mãe. Por sorte, um vizinho ouviu os pedidos de socorro e chamou a polícia.  

- Ele já vinha me fazendo ameaças pelo telefone. Mandava fotos pelo celular de um cemitério dizendo que seria o lugar que eu moraria em breve. Nesse dia, já ao abrir a porta, ele me empurrou e me trancou no banheiro – disse a vítima. 

O caso de X. é apenas um entre muitos registrados como violência doméstica. Somente de janeiro a julho deste ano foram contabilizados no Estado do Rio 40 feminicídios. Em 2019, foram outros 143. Para auxiliar vítimas de maus-tratos, o Município de São Gonçalo vai contar, a partir desta quarta-feira (19/08), com os benefícios e a celeridade do Projeto Violeta no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), na cidade.   

 Vencedor do Prêmio Innovare de 2014, o projeto consiste em um núcleo de atendimento às vítimas de violência doméstica, numa ação que conta com a participação de defensores públicos, promotores e assistentes sociais dentro da comarca. No mesmo dia sai a medida protetiva e o agressor não pode mais ficar no mesmo ambiente da mulher. Depois de registrar ocorrência na delegacia e solicitar as medidas protetivas de urgência, a vítima é encaminhada para o espaço do Projeto Violeta, onde é ouvida e orientada por uma equipe multidisciplinar do Juizado e sai com uma decisão judicial em mãos.   

De acordo com a titular da Comarca de São Gonçalo, juíza Cláudia Monteiro Albuquerque, o projeto é fundamental para dar uma resposta rápida à mulher que sofre violência. Ela considera ser necessário por parte dos agentes de segurança um olhar cuidadoso sobre o problema.   

- Da delegacia a mulher é encaminhada para o Projeto Violeta dentro do Fórum. O atendimento humanizado e reservado é importante para que a vítima se sinta amparada e se liberte do ciclo de violência física e psicológica. A mulher precisa entender que é vítima da violência. Em muitos casos, ela depende financeiramente ou emocionalmente e aceita a situação, ou até acredita que merece esse tipo de agressão por ter a auto-estima baixa. Para se ter uma ideia, cada mulher demora em média de 7 a 10 anos para registrar a violência - ressalta a magistrada.  

SV/FS 

 

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